Carnaval 2010
Apresentação
A União da Ilha da Magia, a mais nova escola de Samba da cidade de Florianópolis, nasceu com o intuito de valorizar e preservar a cultura através do carnaval. Sua trajetória demonstra isso com a abordagem de enredos sempre valorizando as histórias da nossa terra e da nossa gente.
Na Ilha de Santa Catarina, a herança mística é um legado deixado por sua colonização açoriana. Na bagagem dos primeiros colonos açorianos, além de esperança, trouxeram também, muitas histórias de encantamento que foram contadas a eles, por gregos, romanos, indianos, africanos, egípcios, árabes e muitos outros povos que passaram pelos Açores. Com a colonização açoriana da região e seu isolamento do resto do Brasil, permitiu tornar-se uma terra propícia ao surgimento de muitas histórias de magia e misticismo, um verdadeiro caldeirão que fervilha com os resquícios de crenças e costumes de muitos povos. Devido a tudo isso, ficará conhecida como a Ilha da Magia.
Aproveitando toda essa herança, a Escola de Samba União da Ilha da Magia, vai propor um carnaval mágico, utilizando como base toda essa mística da Ilha de Santa Catarina, buscando inspiração em poderosas energias mitológicas que perpetuaram a grandeza de civilizações na história universal.
Para o carnaval de 2010, a União da Ilha da Magia, utilizando-se do seu símbolo maior, a Gaivota Real, vai alçar vôo ao infinito em busca de histórias mágicas e de bênçãos ancestrais que são necessárias à realização de um grande desfile. Idealizamos um enredo que fala de misticismo e encantamento, poder e adoração, e que foi perpetuado através das civilizações. Utilizando a força de crenças milenares, vamos fazer uma viagem sagrada pelo planeta, para exaltar e pedir a benção dos deuses, que simbolizam culturas, e que deixaram seu legado registrado na história pela mitologia e pela fé, que até hoje exercem fascínio e encantamento, nascendo assim, o enredo: A Magia dos Deuses.
Jaime Cezário
Carnavalesco
A Magia dos Deuses
Sinopse do Enredo
Neste carnaval, abriu-se um portal místico na Lagoa da Conceição para a Gaivota Real contar uma história astral. A gaivota faz uma viagem sagrada em busca de bênçãos e mistérios para exaltar na Passarela do Samba. Nessa viagem, não há futuro e nem presente. Que o destino esteja ausente e que os Deuses venham brincar no carnaval, gerando paz e alegria e abençoando todos na Ilha da Magia.
No vôo em busca de bênçãos, a Gaivota Real, chega à terra do sol e das pirâmides, num passe de mágica. Suas brancas penas ficam douradas, são as bênçãos de Rá, deus maior desta terra rica de mistérios e magia. No antigo Egito, onde homens eram considerados deuses vivos na terra e assim, recebiam o título de faraó, o sol simbolizava a maior força. A ele foi atribuído o título de maior deus do Pantheon egípcio e era conhecido como deus Rá, com inúmeras representações, sendo que a mais comum era a do disco solar. O sol é símbolo de vida e de energia. E a todo nascer do sol, as esperanças se renovam, assim como toda fé. Um homem para ser afortunado teria que ter sua proteção. Segundo os egípcios, foi Rá quem pôs fim à escuridão que há muito o universo estava mergulhado e sua luz e calor são presentes diários aos seus súditos amados. Esta combinação é sinônimo de vida e felicidade. Nesta terra, floresceram templos, onde o tamanho desses templos representava poder da adoração ao deus cultuado. No grande Pantheon egípcio de deuses, a trindade divina é representada pelos deuses Osíris, Isis e Hórus. Seus deuses eram fundamentais para protegê-los e fazer com que o Egito nunca fosse esquecido, mas sim, eternamente admirado. No templo dedicado à Rá, os sacerdotes fizeram uma cerimônia para pedir sua bênção ao carnaval. E para simbolizar um elo de união entre Rá e a União da Ilha, uma gaivota em ouro é ofertada, como um talismã para proteção e sucesso.
Com as bênçãos de Rá, segue sua jornada a Gaivota Real, resplandecente segue rumo a terra entre rios, a Mesopotâmia. Em seu vôo contempla do alto a mais bela cidade da antiguidade, que foi denominada a morada dos deuses, a Babilônia. Fascinada por sua beleza, se depara com o culto aos dois principais deuses desta exótica terra. Ao longe observa o revoar de um touro alado com cabeça de homem, e os fiéis gritavam seu nome: Marduk, o deus responsável pela proteção da cidade. A seu lado na cerimônia, encontra-se a deusa Ishitar, a senhora do céu e da terra e que cuida especialmente do amor. No encontro com esses poderosos deuses, pede que mandem toda a sua energia sagrada na proteção, fazendo surgir o encantamento da poesia celestial no ritmo marcante da bateria que faz a emoção do nosso carnaval.
Num clima de mistério, segue rumo às terras gregas e romanas na busca da cidade que fica entre as nuvens, lugar que é conhecido como Olimpo. A morada dos deuses era o cume do Monte Olimpo, e seu acesso era por um portal de nuvens. Os deuses controlavam a Terra onde os seus súditos, gregos e depois romanos, os cultuavam em rituais, festas e sacrifícios. No monte Olímpo resplandecia o palácio de Zeus, ponto central de reunião dos deuses. Para receber a Gaivota Real, uma convocação geral é feita a todos os imortais. Na recepção de celebração, ambrosia e néctar serão servidos. Apolo, deus da música e da beleza, tocava sua lira e as musas cantavam para o encantamento de todos. Netuno chegou ao palácio deixando os mares e Plutão deixando o mundo dos mortos. Na reunião dentre tantos deuses, se destacavam pela alegria a deusa Vênus, Marte, Eros, Baco, Minerva e Mercúrio - todos abençoando esta jornada mágica e assumindo o compromisso de estar presente no carnaval. A festa durou até o sol se pôr, terminando com as benções de Zeus que a presenteou com um talismã feito de raios.
O destino agora é o Oriente, a terra criada por Brahma, o criador do universo indiano, em busca da flor de lótus sagrada. Uma tarefa árdua, pois para ter o direito de conquistar o merecimento deste poderoso amuleto, precisará do consentimento dos deuses. Aos quatro cantos da Índia precisará voar em peregrinação para pedir aos deuses suas benções. Segue ao encontro do deus Shiva, o senhor do tempo e do conhecimento, que a abençoa presenteando com o tambor de dois lados que simboliza uma nova criação. Shiva indica o rumo a seguir, que é na direção das montanhas do Himalaia ao encontro da Deusa-mãe Parvati, pedindo paz e felicidade. A deusa emocionada com seu empenho oferta um pequeno rubi de presente como sinal de reconhecimento. Segue ao encontro do deus Vishnu, conhecido como o preservador, aquele que protege a criação, o deus a presenteia com a concha da vibração primordial. Finalmente, vai ao encontro do deus Ganesha, que é popularmente conhecido como o removedor de obstáculos. No encontro, a Gaivota Real, vai ofertar ao deus, todos os presentes recebidos em terras indianas. O deus com cabeça de elefante rejubila-se com tal oferenda e em agradecimento lhe presenteia com a flor de lótus sagrada da criação e abençoa a Gaivota Real com toda sorte no carnaval.
A jornada continua, segue na direção da África ancestral, terra do feitiço e magia. Som de tambores anuncia a chegada ao Reino de Olorum, o criador do mundo Iorubá, terra de muitos deuses conhecidos como orixás e que são adorados em ritos tribais. Nas terras africanas conhece o mensageiro dos deuses, Exu, que avisa que toda magia que precisa obter vai encontrar no Brasil, mais precisamente em Salvador, onde o candomblé impera e se tornou símbolo de resistência dos filhos da África que foram escravizados. Ao chegar à Bahia de todos os deuses, vai ao encontro daquele que é conhecido como Pai de todos os orixás, Oxalá, que a contempla com uma grande festividade no terreiro mítico. O rufar dos atabaques marca o início da celebração que conta com a presença de todos os deuses Iorubás. Na cerimônia preparam um amuleto mágico com um pouco de cada orixá, águas doces de Oxum, ferro de Ogum, lama de Nana, pedras de Xangô, matas de Oxossi, ventos de Iansã, arco-íris de Oxumarê, águas salgadas de Iemanjá com as bênçãos de Oxalá, vê-se tudo transformar em uma maravilhosa coroa de luz, com a qual a Gaivota Real é coroada.
Com todo o axé recebido dos deuses, finaliza sua missão e parte em regresso rumo à Lagoa da Conceição para contar toda essa aventura mágica ao seu povo em forma de carnaval. Em tempo de alegria, convoca toda comunidade, que orgulhosa com as bênçãos conseguidas, segue rumo à passarela do samba para desfilar com a União da lha da Magia que marcará com o ritmo de sua bateria, sempre valente e guerreira, o poder astral que emana deste carnaval, cantando com toda paixão, o poder mágico deste enredo.
A Magia dos Deuses !
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